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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Evoland


Desde que os video games contaram anos suficientes para clamar por uma cultura própria, não faltaram desenvolvedoras e produtoras que resolveram abandonar um pouco a futurologia e as tecnologias de ponta para dar uma olhada em como as coisas eram feitas há dez, 20 ou mesmo 30 anos.
De fato, o que antes era uma espécie de “prerrogativa” da indústria de jogos indie hoje é explorada até por peixes grandes — os quais, vale dizer, nem sempre resgatam o modus operandi de outros tempos com um coração terno de lembranças. Quer dizer, alguém tem que garantir o “leitinho das crianças”, certo?
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Dessa forma, é realmente reconfortante encontrar algo com a verve e o envolvimento genuíno de Evoland. E a ideia aqui é relativamente original: transitar entre as diferentes gerações de vídeo games, celebrando cada uma das conquistas que culminaram no espetáculo gráfico que é disponibilizado hoje — e que, não obstante, ainda deixa muitas pessoas com saudades dos “velhos tempos”.
Entretanto, ao flertar com inúmeros estilos/clichês de clássicos consagrados — sobretudo The Legend of Zelda e Final Fantasy —, a motivada Shiro Games acaba escorregando no próprio conhecimento extensivo que tem sobre jogos de aventura e RPGs. Evoland evoca diversos elementos mas, por vezes, acaba com um pouco de dificuldade em mostrar uma identidade. Vale a pena olhar mais de perto.

Aprovado

30 anos em um único jogo
Quem não conhece a proposta de Evoland pode estranhar o início do game. No controle de um sujeito construído com alguns poucos pixels descoloridos, você vai se lançar por uma floresta do tipo que exigia o máximo do raciocínio abstrato nos anos 80. Figuras geométricas tentando convencê-lo de que, na verdade, formam árvores frondosas e rochas gigantescas... Enfim, não muito convincente, mas certamente bastante saudosista.
Entretanto, ao perambular pelo cenário, você verá o seu jogo evoluindo (com o perdão do trocadilho) e se construindo à sua frente. Novas cores são acrescentadas, sempre acompanhadas pela trilha sonora. E isso também ocorre com a jogabilidade: novas armas; a capacidade de andar na diagonal; combos etc.
De fato, o “estranhamento” causado pela proposta de Evoland não poderia ter sido mais bem pensado. Avançar 30 anos da história dos video games enquanto desvenda um mundo que, em teoria, se mantém o mesmo é uma experiência de fato singular.
O amparo da história
Talvez a proposta de Evoland se pareça com a de uma imensa colcha de retalhos a princípio — com diversas partes costuradas que, no fundo, nada tem a ver umas com as outras. Bem, esse realmente não é o caso — não na maioria do tempo, pelo menos.
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A história do game sempre aparecerá para justificar as alterações mais dramáticas do jogo, tornando a evolução parte da própria trama. Por exemplo: o seu mundo aqui não vai simplesmente passar do 2D para o 3D. Em vez disso, será encontrado um item mágico capaz de “fazê-lo enxergar o mundo com outros olhos”, conforme diz sua companheira de jornada.
Bom Humor
Mas há também o bom humor, é claro. Entre outras coisas, as tiradas engraçadas da Shiro Games servem também para mostrar o conhecimento de causa da desenvolvedora. Quer dizer, a softhouse é perfeitamente capaz de entender a própria proposta — um conjunto de elementos que, no fundo, tendem a tirar um pouco da seriedade de um épico típico.
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As referências também tem sua graça. E isso desde a mais óbvia — como o livro fictício de Shigeru Miyamoto intitulado “O Guia definitivo para Tudo” — até a mais truncada — como uma menção ao filósofo e educador Marshall McLuhan.

Reprovado

Faltou explorar melhor alguns elementos
Evoland evoca detalhes óbvios e sombrios dos jogos antigos — e faz isso a todo o momento. Entretanto, embora flerte com a ação típica de Zelda, o game jamais chega a conseguir a qualidade do game da Nintendo. Igualmente, embora lance mão das clássicas batalhas em turno dos primeiros FF, também ali falta o “algo mais” que dava magia àqueles jogos.
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Isso fica particularmente óbvio conforme o jogo avança e, eventualmente, encontra a sua “evolução” máxima. Mesmo com gráfico de alta-definição, texturas aprimoradas e combos, o desfecho é apenas um jogo comum — cujo valor vem mais da homenagem do que de uma suposta autonomia.
Às vezes pode ser maçante
Em alguns momentos, Evoland acaba sendo um tanto cansativo — talvez uma lembrança menos terna dos primeiros RPGs? São inúmeros inimigos idênticos se espalhando por todo um andar do calabouço; ou é ainda uma viagem um tanto sem sentido entre localidades extremamente distantes... Em que fica óbvia a intenção: forçar o jogador a desbloquear e experimentar novos elementos.
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Dungeons pouco elaboradas
Em geral, o mundo de Evoland é muito bem arquitetado. Mas isso nem sempre pode ser dito de seus calabouços. Algumas dessas fases são de uma simplicidade geométrica risível — mesmo para os padrões de um RPG de mais de 20 anos atrás.

Vale a pena?

Talvez o que mais chame a atenção em Evolando seja certo “feeling”. Um sentimento muito particular de paixão e envolvimento que normalmente é mais claramente percebido em um jogo independente.
Trata-se daquela noção, daquele momento em que se percebe que algo foi efetivamente feito por alguém que conhece, até as menores nuances, os clássicos que forjaram uma parte da história dos games — e também da infância de muito jogador. É algo que dificilmente é conseguido por uma aposta exclusivamente “mercantilista”.
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Mas, a despeito dos seus genes, Evoland é também um jogo divertido. De fato, atravessar um mundo de elementos cambiantes — razoavelmente bem costurados à trama —, de menções a jogos antigos e modernos, certamente vale as horas gastas.
A grande derrapada? Evoland tenta abraçar um mundo de experiências, conhecimentos e referências sem, contudo, chegar a andar totalmente com as próprias pernas. Inúmeros elementos são insinuados, mas poucos acabam realmente conduzindo a uma experiência divertida e bem desenvolvida.
Talvez, no fim das contas, Evoland seja mais uma boa viagem histórica do que um bom jogo de vide game — embora isso provavelmente dependa do tamanho da sua própria bagagem.



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Um JRPG que recompensa a paciência com uma experiência profunda e interessante


Desenvolvido e publicado pela Atlus, Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers é a mais nova aquisição em termos de JRPG para o Nintendo 3DS. O console portátil da Big N não é exatamente um fenômeno no que diz respeito ao tamanho e à qualidade da biblioteca de jogos, mas possui uma boa gama de títulos, e Soul Hackers certamente chegou para somar.
A primeira informação relevante sobre Soul Hackers é saber que ele é um remake de um jogo lançado em 1997, que nunca saiu das terras japonesas. A segunda coisa que todo mundo precisa saber sobre a franquia Shin Megami Tensei é que ela trata quase invariavelmente de dois temas obrigatórios: tecnologia e ocultismo. Sendo assim, já podemos esperar que este game tenha uma temática que abrace o que o próprio nome evoca: hackers e almas.
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O universo cyberpunk do game conta a história de um grupo de jovens que venera a tecnologia e se autodenomina “The Spookies”. Você assumirá o controle de um dos membros dessa gangue pela cidade high-tec de Amami, passando inclusive por dentro de uma outra cidadela virtual — conhecida como Paradigm X.
E é exatamente nesse espaço do mundo online que se encontra o lado obscuro dos habitantes de Amami, juntamente com todas as entidades mais demoníacas e poderosas da existência humana. E isso não é exagero, pois quem acompanha a franquia Shin Megami Tensei desde Nocturne, Digital Devil Saga e o primeiro Devil Summoner sabe que o pessoal da produção japonesa gosta de um bom (e avantajado) tom dramático.
Inclusive, um de seus problemas é que sua melhor amiga, Hitomi, é possuída por um demônio logo no começo do jogo. A tal da “Nemissa” faz parte de uma série de jornadas espirituais (ou não) nas quais você terá que embarcar, sempre orientado por um misterioso homem chamado Redman, que assume a forma de um lobo.  

Aprovado

Profundidade do enredo
Adoradores de JRPG sabem que uma das principais características do gênero são a amplitude e a profundidade com a qual os enredos são contados. A seriedade na construção das histórias, ainda que elas tragam passagens bem-humoradas e descontraídas, denota que a equipe por trás do enredo de um role playing game nunca trata a aventura como um simples quesito, e sim como o aspecto principal.
Mais uma vez, para confirmar essa prerrogativa, Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers entrega uma narrativa que começa tênue e desinteressante e vai se tornando mais e mais intensa. Depois que os principais elementos são apresentados aos gamers, parece que o mundo dentro do jogo começa a ganhar uma vida completamente nova, e cada novo demônio descoberto traz uma dezena de minutos muito interessantes.
A mistura entre tecnologia e elementos místicos é uma proposta que já pode ser considerada antiga, mas que ainda foi muito bem executada em Soul Hackers. Tirando a demora que a história leva para engrenar, vale muito a pena prestar atenção em todos os detalhes que são demonstrados pelas ruas de Amami.
Exploração em primeira pessoa
Diferentemente de RPGs convencionais, Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers adota um curioso sistema de exploração das dungeons com uma visão em primeira pessoa. Quem já conhece a série não vai achar isso tão impressionante, mas, para quem está chegando agora, a proposta é diferenciada e muito legal.
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Mapa onipresente
Quem joga JRPG se preocupa com a história, com os desafios que encontra aleatoriamente pelos cenários e principalmente em administrar estratégias viáveis para detonar múltiplos inimigos, utilizando vários personagens diferentes. Agora, quando você ainda precisa se atentar ao caminho que deve seguir, em termos de complexidade (os lugares com gráficos ruins parecem verdadeiros labirintos), geralmente a jogatina perde muito em diversão.
Em Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers, você realmente não vai se preocupar muito com isso. Acontece que existe um mapinha no lado inferior direito da tela, que é praticamente onipresente e realmente não deixará você se perder. É a mesma sensação que tínhamos ao jogar GoldenEye 007 para Nintendo 64 e encontrávamos um inimigo antes de ele aparecer apenas olhando no mapa. Excelente!

Reprovado

Visual sinceramente cansado e datado
Bom, quem está acostumado com um PlayStation 2 já iria reclamar do visual de Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers... Os gráficos não deixam dúvidas de que o jogo foi criado na era dos 32-bits, passando por algumas modificações técnicas mínimas, priorizando o som ao visual.
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A adaptação ao efeito em 3D do Nintendo 3DS não renova em nada a apresentação do game, sendo que a única modificação realmente notável é o aumento da profundidade do cenário em determinadas ocasiões — com o 3D ligado no máximo. Tirando isso, Soul Hackers passaria fácil por um jogo realmente muito inferior.
Interface pouco intuitiva
Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers consegue entregar uma interface complexa mesmo para quem está acostumado com RPGs. Não que seja impossível concluir as coisas apenas lendo as opções do menu principal das lutas, mas, mesmo que você esteja atento aos comandos, é possível que algumas lutas desandem vorazmente.
Há uma espécie de ataque surpresa que pode ser infligido e acaba por adulterar a ordem esperada de batalha — lembrando que a hierarquia de atacantes é um dos elementos fundamentais no planejamento da estratégia em um RPG de turnos. Portanto, sua equipe pode ser devastada no mais improvável “de repente”.
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Fora isso, não há tutorial e as explicações sobre os demônios e sobre suas possibilidades de ataque são dadas com muita discrição lá pela segunda hora de jogatina. Assim, quem ainda não está familiarizado com a dinâmica de Shin Megami Tensei terá sérios problemas para descobrir o que fazer.
Mecânica de jogo quase nada fluida
A falta de explicação sobre os comandos que devem ser utilizados nas lutas só não é maior do que a falta de fluidez durante o andamento da campanha principal do game. Assim que os diálogos acabam, você tem uma vaga ideia do que fazer, pois é sabido que se trata de uma história linear, mas ainda assim é complicado encontrar o lugar certo.
Para dificultar um pouco mais o trabalho de quem não é um fã antigo da série, é preciso deixar uma característica extremamente em evidência. Realmente: o jogo é complicado e possui uma curva de aprendizado bastante obtusa.

Vale a pena?

Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers é um jogo que adiciona um caráter sério e adulto para as telinhas do Nintendo 3DS. Juntamente com a remasterização de quesitos técnicos, que não é nenhuma atração muito chamativa para ajudar na decisão de comprar ou não o game, Soul Hackers traz 30 novos demônios, incluindo criaturas inéditas e outras retrabalhadas da versão original.
Quem é fã de JRPGs e, consequentemente, da franquia Shin Megami Tensei ou de Personaencontrará em Soul Hackers uma experiência que até então estava faltando para completar o que havia sido entregue em Shin Megami Tensei: Devil Survivor Overclocked — que chegou há dois anos também para o portátil da Big N.
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No entanto, a exigência que o game faz dos jogadores é alta demais. É realmente preciso ter muita, mas muita paciência para começar a conhecer o enredo que será vivido no jogo. Sem falar que, assim que você liga o jogo, são mais de 16 minutos sem que você praticamente precise tocar no seu 3DS, bastando apenas assistir tudo o que acontece... E mais: a primeira luta de verdade só acontece perto da primeira hora de jogatina.
Assim, não podemos dizer que Shin Megami Tensei: Devil Summoner: Soul Hackers é um jogo feito para qualquer gamer, de qualquer idade. Muito pelo contrário: ele requer tanta dedicação que praticamente já tem um público bastante específico. Portanto, se você acha que tem os atributos para ser um “jogador de Shin Megami Tensei”, prepare seu melhor humor e vista a camisa dos jogadores hardcore de RPG e vá à luta.
Do contrário, é possível que você não aguente nem os cinco primeiros minutos. Com SMT é assim: ame-o ou o odeie.



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terça-feira, 23 de abril de 2013

A diversão das histórias em quadrinhos ao alcance de seu punho!


As grandes editoras de histórias em quadrinhos perceberam, já há algum tempo, que o fã gosta de ver seus super-heróis favoritos caindo na porrada. Mais do que acompanhá-los no combate ao crime ou enfrentando algum vilão para salvar o mundo, são as megassagas que vendem e animam o público. Afinal, quem nunca discutiu com um amigo para saber quem levava a melhor em uma luta entre Superman e Batman?
É exatamente por isso que Injustice: Gods Among Us é tão empolgante. Apesar de esses confrontos serem tão recorrentes nas páginas das HQs, a DC Comics ainda devia a seus fãs um game capaz de reproduzir essa experiência também nos consoles.
                                Img_normal                                                                      
   E a NetherRealm aceitou de bom grado esse desafio um tanto quanto ingrato. isso porque, mesmo com o ótimo desempenho do estúdio na revitalização da série Mortal Kombat, muitas dúvidas ainda cercavam a produção e o peso da responsabilidade de trazer personagens tão icônicos para o mundo dos games deixava todo mundo preocupado.
Para a alegria de todos, o estúdio não só criou uma identidade própria para o jogo como ainda conseguiu trazer para o jogador toda a empolgação e diversão tão únicas das histórias em quadrinhos. A destruição e o poder exagerado não são mais exclusividades das páginas dos gibis e está ao seu alcance.

Aprovado

Crise das Infinitas Terras
Assim como em Mortal Kombat, a NetherRealm apostou em um ótimo enredo para construir toda a experiência. Em Injustice: Gods Among Us, a trama é incrivelmente importante, sendo a base de tudo aquilo que você encontrará nos diferentes modos.
E as coisas já começam de um jeito um tanto quanto inesperado: com o Superman matando o vilão Coringa. A partir desse incidente, o Homem de Aço simplesmente enlouquece e cria um governo totalitário em que sua palavra é a lei e todos os seus opositores são caçados e mortos. Para acabar com essa insanidade, versões alternativas dos personagens vêm de outra realidade e tentam ajudar os poucos rebeldes que sobreviveram à fúria do Homem de Aço.
O curioso é que essa ideia não chega a ser original, uma vez que propostas semelhantes já apareceram nos quadrinhos e no próprio desenho animado da Liga da Justiça algumas vezes, mas ela funciona tão bem em Injustice que é impossível não se empolgar ao ver o bom moço se transformar no vilão ou o Batman surgir como um foragido.
Para quem acompanha os gibis da DC, Injustice ainda é repleto de ótimos diálogos repletos de referências a acontecimentos marcantes da cronologia, o que torna tudo ainda mais convidativo para os fãs. A caracterização dos personagens é mais um ponto muito positivo — principalmente pelas participações de Coringa e Arlequina.
Outro destaque é a forma como a narrativa é conduzida. Assim como em seu último jogo, o estúdio optou por trazer um sistema de capítulos em que você acompanha os fatos a partir do ponto de vista de diferentes personagens. E mais do que criar um ritmo próprio para o desenvolvimento dos fatos, isso também permite que você conheça um pouco das mecânicas básicas de cada lutador. Assim, enquanto avança pela trama para entender o que aconteceu, você ainda descobre qual herói ou vilão se encaixa ao seu estilo de luta.
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E isso é incrivelmente importante. Como o jogo traz vários elementos inéditos à jogabilidade, esse primeiro contato com seus personagens é fundamental para você dominar cada uma de suas particularidades.
O maior exemplo disso são as habilidades especiais de cada herói e vilão. Todos eles possuem um poder ou movimento característico que pode ser ativado a qualquer momento. Superman, por exemplo, tem sua força ampliada, enquanto o Batman invoca alguns morcegos para ficarem ao seu redor. Outros, como Asa Noturna e Mulher-Maravilha, conseguem alterar seu estilo de combate, criando novas possibilidades de ataque ao alcance de um só botão.
                              Img_normal                                     Para o jogador casual, esses elementos podem servir apenas como um efeito de contextualização — ver o Lanterna Verde invocar o poder do anel é realmente legal —, mas o público mais hardcore certamente vai perceber a diferença desse recuso quando bem utilizado. Saber dominar cada uma dessas variações é algo imprescindível para dominar os combates.
O mundo é sua arma
Por mais forte que seja o super-herói, suas lutas nunca são travadas unicamente com seus punhos. Basta folhear uma HQ para perceber que qualquer objeto ao seu alcance pode ser usado contra um oponente. É o que torna os confrontos tão divertidos e impressionantes — e a NetherRealm conseguiu reproduzir isso muito bem.
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A interação com os cenários é outro elemento que torna a mecânica de Injustice única. Praticamente todo o objeto que estiver por perto pode ser usado contra o adversário, seja arremessando-o ou ativando algum outro tipo de mecanismo.
Isso cria uma dinâmica própria para as lutas, já que nem mesmo à distância você está seguro. Saber se posicionar na tela pode gerar novos ataques ou um dano inesperado, além de poder usar certas estruturas para a criação de combos.
Além disso, os ambientes também podem ser alterados a qualquer momento. A maiorias das arenas possui mais de uma área disponível e a troca acontece a partir de uma animação bem brutal, como na qual o personagem atravessa as paredes do Asilo Arkham e é atacado por vilões como o Espantalho e o Duas-Caras.
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Essas novidades funcionam muito bem dentro dos demais elementos presentes em Gods Among Us. A NetherRealm se preocupou em trazer elementos inéditos mesclados a outros extremamente familiares para quem é fã de jogos de luta. Há muitos recursos reaproveitados de Mortal Kombat — mas sem fazer com que o game seja uma versão da DC do game —, assim como conceitos que vêm de outros jogos e funcionam muito bem.
Para o alto e avante
Para o jogador brasileiro, Injustice: Gods Among Us tem um gostinho ainda mais especial. Além de toda a qualidade do game em si, sua localização recebeu um cuidado todo especial para agradar ao fã brasileiro.
A Warner chamou os dubladores que há anos emprestam suas vozes para os super-heróis, fazendo com que tudo fique ainda mais familiar. É incrível ouvir a icônica voz de Guilherme Biggs como Superman ou a ótima interpretação de Iara Riça para criar o jeito único da vilã Arlequina. Para quem acompanha os filmes e desenhos animados dos personagens, encontrar os mesmos atores no video game é uma surpresa e tanto.
E mais do que apelar para memória dos fãs, a decisão da Warner vem como um tiro certeiro no polêmico debate sobre a qualidade das dublagens para nosso idioma. Injustice estabelece um novo padrão exatamente por contar com uma equipe de ponta que dá à produção um ar quase cinematográfico para os diálogos, o que destoa completamente daquilo que outros jogos apresentaram até agora.
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É muito bom ver esse tipo de preocupação. Esperamos realmente que Gods Among Us se torne referência daqui para frente e que outras empresas sigam o exemplo na hora de trazerem o áudio em português.

Reprovado

Alguns ajustes
Mesmo com tantos acertos, Injustice não é perfeito e possui algumas falhas que comprometem o bom desempenho do título. Por mais que a NetherRealm tenha se preocupado em deixar o título o mais competitivo possível — tanto que há até mesmo informações de quantidade de frames e total de dano de cada ataque para que o jogador mais hardcore tenha total controle sobre sua estratégia —, alguns problemas vão na contramão disso.
O maior exemplo disso é a falta de equilíbrio entre os personagens. Trata-se de um fator importantíssimo em um jogo de luta. Como esse balanceamento é falho e há heróis muito mais apelões que outros, não é difícil imaginar que Gods Among Us pode ficar de fora de grandes torneios e campeonatos ou simplesmente não cair no gosto do público mais exigente.
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Esse desequilíbrio acontece de diferentes maneiras, seja ao trazer lutadores com golpes consideravelmente mais poderosos do que os dos demais ou por permitir a realização de combos incrivelmente exagerados. Tanto que o título mal chegou aos consoles e os jogadores já conseguiram criar sequências capazes de acabar com quase 90% da energia do oponente, além de combos infinitos. Isso sem falar de ataques que atingem o adversário em qualquer ponto da tela e sem qualquer possibilidade de defesa.
É claro que esse tipo de problema pode ser corrigido com atualizações, mas ainda é triste ver todo o excelente trabalho para a construção de novas mecânicas sendo prejudicadas pela falta de cuidado na hora de nivelar o elenco. Só esperamos que essas correções venham o quanto antes — ou Injustice pode se tornar um jogo voltado apenas para os fãs.

Vale a pena?

Se você é leitor de histórias em quadrinhos, comemore. Injustice: Gods Among Us é um jogo feito especialmente para você. Mais do que trazer um título à altura do panteão da DC Comics — que há tempos implorava por um título decente —, a NetherRealm conseguiu reproduzir toda a experiência única das HQs em um jogo de luta.
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Ver Lanterna Verde e Shazam caindo na porrada em seu video game é tão empolgante quanto sair de uma banca de jornal com suas revistas favoritas e certo de que você vai encontrar as melhores e mais divertidas aventuras de sua vida. O estúdio conseguiu traduzir toda a animação das discussões entre fãs sobre quem venceria uma luta entre Batman e Superman em uma mecânica simples e acessível que, mesmo com seus defeitos, consegue prendê-lo por horas, seja em um combate versus ou na confusão do modo história. Afinal, onde mais você veria o Aquaman derrotando todo mundo?
Além disso, o ótimo cuidado da Warner com a versão brasileira também é outro ponto que torna Injustice ainda melhor. A distribuidora foi atrás de dubladores que são referência na área e que emprestam suas vozes aos heróis e vilões da DC há anos, tornando tudo muito mais familiar. E não se trata apenas de um agrado para os fãs. A qualidade no trabalho é excepcional e deve se tornar referência daqui para frente para outros estúdios na hora de adaptar o áudio para nosso idioma.
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E você estava em dúvida sobre Injustice: Gods Among Us, lembre-se da época em que você passava as tardes lendo gibis e se divertindo com as histórias de heróis coloridos com a cueca por cima da calça. O game vai fazê-lo reviver toda a grandiosidade daqueles combates insanos. A diferença é que, aqui, você faz parte deles.
Se os deuses estão entre nós, só nos resta aproveitar e se divertir.



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